Meu ego medroso treme de medo
de uma não aceitação. Morre de medo que um dia digam que ele é tão frágil e
podre que vai embora antes do fim da canção. E eu não tenho medo das suas
partidas. Pelo contrário. Delas me alegro e sorrio. Tenho medo quando ele fica
e me arrasa por dentro. Quando ele brinca de ser algum ser mais forte do que o
meu espirito que desesperado clama por um curativo que o ajude a parar de
formigar. Um curativo que rompa a barreira de carne que Deus construiu para o
abrigar.
Meu corpo é doente do
espirito que briga pra dançar de noite nos calvários das pessoas vivas. Que se
trancam em seus lares com medo das outras pessoas vivas que na verdade estão
todas mortas.
Quando não abrimos espaço pra
o nosso ser tão sublime e completo se encontrar, nós não damos espaço pra
verdade entrar e desfilar sua paz na matéria frágil e mortal.
Quando permitimos esse
embaraço estamos permitindo também que a vida renasça maia uma vez e que, enfim, o bem possa voar por ai na ponta da asa de um passarinho que ninguém vê mas que
voa, voa, voa e sem pousar traca seu caminho no ar.
Meu ego reconhece que o meu
espirito é tão sábio que no meio dos seres terrenos não entendam suas
sabedorias. O medo de que estejam de olhos tão abertos que não enxerguem o clarão
das palavras que os olhos não podem ver.
O medo de ser chamada de
louca no mundo dos que se acham são. Medo de que um dia a poesia vire loucura
na mente dos que nada são.
É preciso entender que o
mundo se trancou numa bolha preta e escura coberta por razão. E a razão ja não
contempla os pés sensíveis desse chão. Tudo vaidade, poder,
excomunhão. Se não existe maldade, quem me explica tantas mortes, irmãos?