domingo, 15 de fevereiro de 2015

Vômito 15/02

Meu ego medroso treme de medo de uma não aceitação. Morre de medo que um dia digam que ele é tão frágil e podre que vai embora antes do fim da canção. E eu não tenho medo das suas partidas. Pelo contrário. Delas me alegro e sorrio. Tenho medo quando ele fica e me arrasa por dentro. Quando ele brinca de ser algum ser mais forte do que o meu espirito que desesperado clama por um curativo que o ajude a parar de formigar. Um curativo que rompa a barreira de carne que Deus construiu para o abrigar.
Meu corpo é doente do espirito que briga pra dançar de noite nos calvários das pessoas vivas. Que se trancam em seus lares com medo das outras pessoas vivas que na verdade estão todas mortas.
Quando não abrimos espaço pra o nosso ser tão sublime e completo se encontrar, nós não damos espaço pra verdade entrar e desfilar sua paz na matéria frágil e mortal.
Quando permitimos esse embaraço estamos permitindo também que a vida renasça maia uma vez e que, enfim, o bem possa voar por ai na ponta da asa de um passarinho que ninguém vê mas que voa, voa, voa e sem pousar traca seu caminho no ar.
Meu ego reconhece que o meu espirito é tão sábio que no meio dos seres terrenos não entendam suas sabedorias. O medo de que estejam de olhos tão abertos que não enxerguem o clarão das palavras que os olhos não podem ver.
O medo de ser chamada de louca no mundo dos que se acham são. Medo de que um dia a poesia vire loucura na mente dos que nada são.

É preciso entender que o mundo se trancou numa bolha preta e escura coberta por razão. E a razão ja não contempla os pés sensíveis desse chão. Tudo vaidade, poder, excomunhão. Se não existe maldade, quem me explica tantas mortes, irmãos?

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